Meses antes da colheita terminar, produtor e comprador já podem combinar entre si o preço da safra futura, sem depender de bolsa de valores. O empresário Wander Aguilera Almeida entende esse tipo de acordo, conhecido como contrato a termo, como um dos instrumentos mais antigos e ainda mais utilizados no comércio de grãos brasileiro, mesmo diante do avanço de ferramentas financeiras mais sofisticadas ao longo dos últimos anos.
Diferente de outros mecanismos de proteção de preço mais recentes, esse contrato funciona de forma direta entre as partes, sem intermediação obrigatória de uma bolsa de valores organizada nem qualquer padronização imposta externamente. Essa simplicidade é justamente o que explica sua permanência no comércio de grãos, mesmo diante da popularização de instrumentos financeiros mais sofisticados nos últimos anos.
O que é, na prática, um contrato a termo de grãos?
Trata-se de um acordo bilateral, negociado diretamente entre vendedor e comprador, que fixa preço, volume e prazo de entrega de determinada quantidade de grãos ainda não colhidos naquele momento da negociação. Nesse contexto, Wander Aguilera Almeida esclarece que esse formato permite personalizar cada cláusula conforme a necessidade específica das partes envolvidas, flexibilidade que contratos padronizados de bolsa simplesmente não oferecem da mesma forma, já que seguem modelo fixo definido externamente.
Diferente do mercado futuro, esse tipo de contrato normalmente exige entrega física da mercadoria no vencimento, já que a intenção original das partes geralmente é efetivamente concluir a operação comercial, e não apenas especular sobre a variação de preço ao longo do tempo, como acontece em boa parte das operações realizadas dentro da bolsa.
Como esse contrato se diferencia do mercado futuro negociado em bolsa?
O contrato futuro é padronizado e negociado em ambiente de bolsa, com ajustes financeiros diários conforme a cotação se movimenta, enquanto o contrato a termo dispensa completamente esse mecanismo de ajuste contínuo entre as partes envolvidas na negociação. Na visão de Wander Aguilera Almeida, essa ausência de ajustes diários simplifica a gestão financeira do produtor, que não precisa reservar capital extra para eventuais chamadas de margem ao longo do período contratado com o comprador daquela safra específica.

Em compensação, o contrato a termo tem liquidez muito menor, já que encerrar a posição antes do prazo depende de negociação direta com a outra parte, sem o mercado organizado que sustenta a liquidez dos contratos futuros negociados em bolsa. Essa limitação exige do produtor mais cautela ao definir prazos, já que reverter uma decisão tomada nesse formato geralmente é bem mais trabalhoso.
Que riscos o produtor assume ao fechar esse tipo de acordo?
O principal risco desse formato está na capacidade da contraparte de honrar o combinado, já que não existe uma bolsa garantindo o cumprimento da obrigação em caso de inadimplência de qualquer um dos lados envolvidos na negociação direta. Assim, Wander Aguilera Almeida ressalta que conhecer bem o histórico do comprador antes de fechar negócio se torna ainda mais importante nesse tipo de contrato do que em operações realizadas dentro de bolsa organizada e regulada.
Cláusulas bem redigidas, especificando penalidades claras em caso de descumprimento, reduzem parte desse risco, mas nunca o eliminam completamente diante de um comprador que simplesmente decida não honrar o combinado no vencimento estabelecido entre as partes.
Quando vale a pena optar pelo contrato a termo?
Produtores que já possuem relação de confiança consolidada com determinado comprador, construída ao longo de várias safras anteriores, tendem a se beneficiar mais desse formato do que de instrumentos padronizados de bolsa, avalia Wander Aguilera Almeida sobre um fator decisivo nessa escolha entre os dois modelos disponíveis.
Quem busca personalização de cláusulas específicas, como condições particulares de entrega ou pagamento, também encontra no contrato a termo flexibilidade que simplesmente não existe nos modelos padronizados negociados em ambiente de bolsa organizada e regulada por normas próprias.
Combinar esse instrumento com outras ferramentas de proteção, dependendo do perfil de risco de cada produtor, continua sendo a estratégia mais recomendada para quem busca segurança sem abrir mão de personalização na negociação da própria safra colhida ano após ano.
