Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, as romarias mostram como práticas tradicionais podem incorporar novas formas de comunicação sem necessariamente perder seu significado. Presentes em diferentes comunidades religiosas, essas peregrinações envolvem caminhada, convivência, momentos de oração e a chegada a locais de devoção, experiências que, durante muito tempo, foram compartilhadas principalmente de maneira presencial.
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Como a internet mudou a preparação para uma romaria?
Antes de pegar a estrada, o peregrino precisa tomar decisões sobre percurso, transporte, horários, hospedagem e outros detalhes. As redes sociais facilitaram o acesso a esse tipo de informação porque permitem encontrar relatos de pessoas que já fizeram determinado caminho, acompanhar conteúdos sobre os destinos e conversar com outros participantes. Fotografias e vídeos também ajudam a visualizar trechos da jornada, conhecer melhor o destino e antecipar algumas características da experiência antes de iniciar o deslocamento.
Além disso, grupos criados em aplicativos de mensagens podem aproximar pessoas que pretendem participar da mesma romaria. Nesses espaços, é possível combinar deslocamentos, compartilhar orientações e manter contato com familiares. A preparação, portanto, deixa de depender apenas de informações transmitidas presencialmente e passa a contar também com uma rede digital de apoio. De acordo com Daugliesi Giacomasi Souza, essa comunicação pode ser útil, principalmente para quem participa pela primeira vez e ainda não conhece a dinâmica do percurso ou do grupo.
Essa mudança altera a própria porta de entrada da experiência. Muitas pessoas podem ter o primeiro contato com determinada peregrinação por meio de uma fotografia, de um vídeo ou de um relato publicado por alguém que participou anteriormente. O conteúdo compartilhado pode despertar curiosidade, apresentar aspectos desconhecidos da tradição e até incentivar o planejamento de uma futura participação. Assim, a experiência de quem já peregrinou pode influenciar a decisão de quem ainda está apenas conhecendo aquela manifestação.
O que acontece quando a peregrinação vira conteúdo?
Durante uma romaria, o celular pode deixar de ser apenas uma ferramenta de comunicação e se transformar em instrumento de registro. Fotografias do percurso, vídeos de momentos coletivos e imagens da chegada ao destino permitem que a experiência seja compartilhada enquanto ainda está acontecendo. Além de guardar lembranças pessoais, esses registros podem mostrar detalhes do caminho, da convivência entre os participantes e dos momentos que marcam a jornada, criando uma narrativa visual construída ao longo da própria peregrinação.

Isso cria uma situação diferente daquela vivida por gerações anteriores. O peregrino não precisa esperar o retorno para contar como foi a jornada. Amigos e familiares podem acompanhar partes do percurso à distância, enquanto outras pessoas interessadas naquela tradição também têm acesso aos registros publicados. Dessa maneira, como destaca Daugliesi Giacomasi Souza, a experiência individual passa a circular em tempo real e pode alcançar pessoas que não estão presentes fisicamente.
As redes sociais aproximam quem participa à distância?
Uma das mudanças mais interessantes está justamente na possibilidade de acompanhar uma experiência sem estar fisicamente nela. Uma pessoa pode não conseguir participar de uma romaria, mas ainda assim acompanhar imagens, mensagens e relatos publicados por familiares ou amigos. Essa possibilidade amplia o alcance da peregrinação, permitindo que momentos do percurso sejam compartilhados com pessoas que estão em outras cidades ou que, por diferentes motivos, não puderam fazer parte da jornada.
Essa conexão também pode fortalecer vínculos entre os próprios participantes. Grupos virtuais permitem que os peregrinos continuem conversando antes, durante e depois da viagem. A experiência deixa de ser limitada ao período em que todos estão reunidos no mesmo lugar. As conversas podem continuar depois da chegada, mantendo o contato entre pessoas que dividiram o mesmo percurso e possibilitando que novas relações sejam construídas a partir dessa experiência compartilhada.
Para a fundadora da DGdecor, Daugliesi Giacomasi Souza, esse aspecto revela uma transformação mais ampla na maneira como as pessoas compartilham momentos importantes. A tecnologia não precisa substituir o encontro presencial para modificar sua dinâmica. Basta criar novas possibilidades de comunicação em torno dele. Nesse contexto, o ambiente digital funciona como uma extensão das relações construídas durante a romaria, mantendo informações, lembranças e conversas ativas mesmo depois que a caminhada termina.
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