A história do doce começa no antigo convento de Santa Rosa, em Conca dei Marini, e chega a Napoli no século XIX, onde ganhou as versões riccia e frolla que continuam presentes nas vitrines das confeitarias
Em Napoli, poucas especialidades mostram de maneira tão clara a ligação entre tradição conventual e confeitaria urbana quanto a sfogliatella. A origem do doce está associada ao convento de Santa Rosa, em Conca dei Marini, na Costa Amalfitana, onde uma preparação feita com sêmola deu origem, entre os séculos XVII e XVIII, à chamada Santarosa.
A receita chegou a Napoli no século XIX e ficou especialmente ligada ao nome de Pasquale Pintauro, que adaptou formato e recheio e ajudou a transformá-la na sfogliatella napolitana. Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, inclui essa história nos roteiros pela cidade porque o doce permite acompanhar como uma receita criada em ambiente religioso se tornou parte cotidiana da cultura napolitana.
Da Santarosa à sfogliatella napolitana
A versão original de Conca dei Marini tinha formato e composição diferentes daqueles que hoje aparecem nas confeitarias de Napoli. A Santarosa levava uma preparação à base de sêmola e era finalizada com creme e amarena, combinação que continua associada à tradição da Costa Amalfitana.
Quando a receita chegou a Napoli, passou por adaptações. O doce ficou menor, o recheio mudou e a massa ganhou a estrutura em lâminas que caracteriza a sfogliatella riccia atual. O preparo exige que a massa seja aberta de maneira muito fina, enrolada em várias camadas, cortada e moldada antes de receber o recheio.
Ricota, sêmola, açúcar, frutas cristalizadas e canela estão entre os ingredientes mais associados à versão napolitana. O resultado é uma massa crocante por fora e um recheio úmido e aromático no interior.
Riccia ou frolla
Em Napoli, a sfogliatella aparece principalmente em duas versões. A riccia é reconhecida pelas várias camadas visíveis da massa, que formam uma espécie de concha crocante. A frolla utiliza uma massa mais lisa e macia, envolvendo um recheio semelhante ao da versão folhada.
A diferença está principalmente na textura externa, e as duas convivem há gerações nas confeitarias da cidade. A própria tradição atribuída a Pintauro também o relaciona ao desenvolvimento da versão frolla depois da adaptação da antiga Santarosa.
Por que a Benarrivati inclui essa tradição no roteiro
Para Antonella, provar a sfogliatella ganha outro significado quando a família conhece o trabalho necessário para chegar àquelas camadas e entende a trajetória da receita entre a Costa Amalfitana e Napoli.
“A sfogliatella parece um doce simples quando chega ao balcão, mas basta conhecer o preparo da versão riccia para perceber a técnica envolvida em cada camada. Gosto de contar também que essa história começa fora de Napoli, em um convento da Costa Amalfitana, porque isso conecta dois lugares por uma receita que foi mudando ao longo do tempo até se tornar um símbolo da cidade”, conta Antonella Giancoli.
Nos roteiros da Benarrivati, a escolha das confeitarias depende do percurso e das casas que fazem sentido para cada viagem. A proposta é aproximar a degustação da história da confeitaria napolitana, sem tratar como idênticos métodos que podem variar de um produtor para outro.
Uma receita que ainda conecta Napoli à Costa Amalfitana
Em Conca dei Marini, a Santarosa continua fazendo parte da tradição local e é celebrada anualmente em uma programação dedicada ao doce. A relação com o antigo convento permanece central na narrativa gastronômica da cidade.
Em Napoli, por sua vez, riccia e frolla passaram a ocupar um lugar próprio dentro da confeitaria local, servidas diariamente em diferentes casas da cidade.
Para a Benarrivati, acompanhar essa trajetória acrescenta ao roteiro napolitano um capítulo de história gastronômica que ultrapassa a simples degustação. Da cozinha conventual da Costa Amalfitana às vitrines de Napoli, a sfogliatella mostra como uma receita pode atravessar séculos, mudar de forma e continuar reconhecível como parte da identidade de um território.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.
