O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou novos recursos de inteligência artificial para as Eleições Gerais de 2026. Entre as medidas está a integração de comandos de voz ao ChatVote, assistente virtual disponível no aplicativo e-Título e no portal da Justiça Eleitoral. A ferramenta foi apresentada como uma forma de facilitar o acesso a informações sobre o pleito e ampliar os canais de orientação ao eleitor.
O anúncio ocorreu em 28 de setembro de 2026, poucos dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. No mesmo conjunto de iniciativas, o TSE informou uma parceria com a ElevenLabs, empresa especializada em geração de voz por inteligência artificial. O acordo prevê a criação de um banco de vozes protegidas de candidatas, candidatos e servidores da Justiça Eleitoral.
Como funcionará o ChatVote por voz
Com a integração, o eleitor poderá interagir verbalmente com o ChatVote para consultar informações relacionadas às eleições. O recurso amplia o modelo de atendimento já oferecido pelo assistente virtual, que pode ser acessado pelo e-Título e pelo portal oficial da Justiça Eleitoral.
Na prática, a interação por voz busca tornar a consulta mais acessível para pessoas que têm dificuldades com a leitura ou com o uso de interfaces digitais convencionais. O sistema poderá ajudar na busca por orientações eleitorais, mas seu uso deve ser entendido como um canal institucional de informação, e não como substituto da conferência em fontes oficiais quando houver dúvidas relevantes.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a iniciativa também está relacionada ao combate à desinformação. Ao concentrar orientações em uma ferramenta oficial, a Corte pretende oferecer ao público uma referência confiável em um ambiente no qual conteúdos falsos podem circular rapidamente.
Banco de vozes pretende dificultar clonagens
A parceria com a ElevenLabs acrescenta uma frente de proteção contra o uso indevido de vozes. O banco reunirá registros protegidos de integrantes do processo eleitoral, incluindo candidatas, candidatos e servidores. A proposta é impedir que essas gravações sejam utilizadas para gerar reproduções artificiais capazes de simular a fala de uma pessoa real.
Áudios falsos podem ser usados para atribuir declarações inexistentes a autoridades ou concorrentes, disseminar orientações fraudulentas e influenciar a percepção dos eleitores. Em períodos de campanha, uma mensagem manipulada pode ganhar alcance antes que a checagem seja concluída, especialmente quando é distribuída por redes sociais e aplicativos de mensagens.
De acordo com as informações divulgadas pelo TSE, a plataforma também terá mecanismos para identificar conteúdos sintéticos e inserir marcas d’água digitais em áudios produzidos por meio do sistema. Esses recursos podem contribuir para a rastreabilidade e para a diferenciação entre materiais autênticos e conteúdos gerados artificialmente, embora não representem uma garantia absoluta contra toda forma de manipulação.
Regras eleitorais já tratam de conteúdos manipulados
O uso de inteligência artificial nas eleições não se limita ao atendimento ao eleitor ou à proteção de vozes. As regras eleitorais de 2026 também passaram a considerar restrições relacionadas a conteúdos manipulados por IA, incluindo deepfakes produzidos com a finalidade de enganar o eleitorado.
Em outra publicação, o TSE detalhou novidades das Eleições 2026 e reforçou a atenção da Justiça Eleitoral aos efeitos da tecnologia sobre o processo democrático. A preocupação envolve tanto a criação de imagens e vídeos falsos quanto a produção de áudios capazes de imitar pessoas conhecidas.
A Corte já havia informado, em março, a aprovação do calendário eleitoral e a regulamentação do uso de inteligência artificial no pleito. O conteúdo divulgado no portal do Tribunal Superior Eleitoral ajuda a contextualizar as normas que orientam o emprego da tecnologia durante a disputa.
Tecnologia não elimina a necessidade de checagem
Apesar dos mecanismos anunciados, a inteligência artificial não elimina os riscos de fraude, erro ou uso malicioso de conteúdos digitais. Marcas d’água e sistemas de identificação podem apoiar a análise, mas áudios compartilhados fora da plataforma original podem sofrer alterações, cortes ou recombinações que dificultam a verificação.
Para o eleitor, a recomendação é desconfiar de mensagens que apresentem declarações surpreendentes, pedidos urgentes ou orientações diferentes das divulgadas pelos canais oficiais. A confirmação deve ser feita no portal do TSE, no aplicativo e-Título ou em outras fontes institucionais confiáveis antes de compartilhar o conteúdo.
Com o ChatVote por voz e o banco de registros protegidos, o TSE combina acessibilidade e segurança da informação na preparação para as Eleições 2026. A iniciativa mostra como a tecnologia pode ampliar o acesso a serviços públicos, mas também evidencia que a proteção do processo eleitoral depende da combinação entre ferramentas automatizadas, regras claras e participação crítica dos cidadãos.
