Com o governador fora da corrida por limite constitucional, o campo político gaúcho se fragmentou e abre espaço para uma eleição genuinamente competitiva em outubro
Poucas vezes na história recente do Rio Grande do Sul a disputa pelo Palácio Piratini chegou tão aberta a um ano eleitoral. Eduardo Leite, que governou o estado por dois mandatos e se tornou um dos nomes mais visíveis da política brasileira nos últimos anos, está fora da corrida por limite constitucional. Sua ausência, oficializada pelo calendário eleitoral, não apenas liberou o tabuleiro para novos candidatos, mas desencadeou um movimento acelerado de realinhamentos partidários que está redesenhando as alianças no estado. Quem vai comandar o RS a partir de janeiro de 2027 é, hoje, uma das perguntas mais abertas da política nacional.
A decisão do governador Eduardo Leite de não disputar as eleições de 2026, agora definitiva devido aos prazos do calendário eleitoral, desencadeou uma nova fase de articulações políticas no Rio Grande do Sul. A ausência de Leite na corrida impacta diretamente tanto a disputa pelo Palácio Piratini quanto a composição das candidaturas ao Senado. O cenário que se desenha é o de uma eleição com pelo menos três candidatos competitivos ao governo, algo que não acontecia no estado há algum tempo. Rdplanalto
O campo governista sem Leite: Gabriel Souza e a aposta na continuidade
No campo que apoiou o atual governo, o protagonismo passou para o vice-governador Gabriel Souza, do MDB. No campo governista, o principal efeito da saída de Leite recai sobre Gabriel Souza, que assume o protagonismo da pré-campanha. A aposta do partido está na associação da imagem de Gabriel à atual gestão estadual, além do reforço do apoio público de Leite. Rdplanalto
Souza carrega a vantagem de ter acompanhado de perto a gestão da crise pós-enchentes e de ser identificado com a resposta do governo estadual ao desastre de 2024. Essa trajetória é um ativo importante num estado onde a reconstrução ainda ocupa o centro do debate público. Por outro lado, a ausência de Leite como cabo eleitoral direto pode enfraquecer a mobilização de eleitores que votaram no governador em 2022 por identificação pessoal, e não necessariamente por afinidade com o MDB.
Outro fator que pode influenciar a corrida é a indefinição entre PT e PDT. O PT lançou Edegar Pretto, enquanto o PDT apresentou Juliana Brizola. Há pressão para que uma das candidaturas seja retirada em favor de uma aliança. A fragmentação da esquerda gaúcha pode beneficiar tanto Gabriel Souza quanto o candidato do PL, dependendo de como os votos progressistas se distribuírem no primeiro turno. Rdplanalto
A oposição e o racha que mudou o mapa de alianças no RS
No campo da oposição, a movimentação mais significativa dos últimos meses foi a saída do Partido Progressistas da base de Leite e sua aproximação com o PL. O diretório estadual do PP no Rio Grande do Sul rompeu com o governador Eduardo Leite e fechou um acordo com o PL, mirando as eleições de 2026. A decisão foi tomada pensando principalmente na disputa pelo governo do estado, com o presidente do PP no RS, Covatti Filho, confirmando a movimentação. Metrópoles
Essa realinhamento fortalece o entorno do pré-candidato do PL ao governo estadual. O deputado federal Luciano Zucco, do PL, ajusta sua estratégia em um cenário mais aberto e imprevisível. O partido trabalha com a meta de encerrar a disputa ainda no primeiro turno, apostando na vantagem inicial de Zucco nas pesquisas. A estratégia do PL é consolidar uma aliança ampla antes do período eleitoral oficial para evitar a repetição do cenário de 2022, quando o candidato bolsonarista perdeu no segundo turno para Leite. Rdplanalto
Pesquisa do instituto Futura Inteligência aponta que Zucco é o mais citado pelos eleitores na disputa ao governo estadual, seguido por Juliana Brizola, do PDT, e Edegar Pretto, do PT. Os números, porém, são preliminares e devem mudar significativamente ao longo dos próximos meses, à medida que as alianças se consolidam e as campanhas ganham forma. Gazeta do Povo
O que está em jogo além do Piratini
A eleição de outubro vai definir muito mais do que o próximo governador. Ela vai determinar o ritmo e o foco da reconstrução pós-enchentes pelos próximos quatro anos, a posição do RS nos debates federais sobre mudanças climáticas e as prioridades do agronegócio gaúcho numa janela de tempo crítica para a economia estadual.
Os eleitores gaúchos vão escolher em outubro, além do governador e vice-governador, dois senadores, 31 representantes para a Câmara dos Deputados e 55 membros da Assembleia Legislativa. Ou seja, toda a estrutura de representação política do estado será renovada ao mesmo tempo, o que torna as eleições de 2026 no RS uma das mais complexas e relevantes em escala nacional. Wikipedia
O que está em jogo no RS é também um teste para as diferentes correntes políticas brasileiras. O estado que elegeu Leite em 2022, se reconstruiu em 2024 e colhe recordes em 2026 vai mostrar, nas urnas de outubro, que tipo de projeto político considera mais adequado para enfrentar os desafios das próximas décadas.
Fontes: RD Planalto | Metrópoles | Gazeta do Povo / Futura Inteligência | Wikipedia / 2026 RS election
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
