O governo do Rio Grande do Sul tem lançado uma estratégia inovadora que vem atraindo olhares nacionais como referência na área de segurança pública. Esse plano estadual aposta no alinhamento entre diferentes esferas do poder, uso de dados e ações integradas para enfrentar a criminalidade com eficiência. O approach busca superar práticas pontuais, formulando soluções estruturadas que atuem em várias frentes simultâneas — desde repressão até prevenir a instabilidade social.
Na manifestação recente em Brasília, o governador gaúcho apresentou essa iniciativa como parâmetro para outras unidades da federação. Ele realçou que não se trata apenas de reforçar policiais ou aumentar orçamento, mas de reorientar prioridades com base em estatísticas, identificar territórios mais vulneráveis e aplicar recursos com foco preciso. Isso reforça a ideia de que desafios de segurança podem ter solução inteligente — não somente mais força — quando acompanhados de planejamento estratégico e coordenação institucional.
Uma das bases dessa estratégia é o monitoramento territorializado: mapas criminais, cruzamentos de dados socioeconômicos e definição de áreas prioritárias. Isso permite concentrar esforços onde a incidência de delitos é mais alta, reduzir desperdícios e promover intervenções que dialoguem com a realidade local. Em muitos casos, apostar no local certo significa prevenir mais do que simplesmente reagir aos casos pontuais. A precisão desse método abre caminho para intervenções proativas e sustentáveis.
Outra dimensão importante é a abordagem interdisciplinar. O programa gaúcho articula secretarias de segurança, educação, assistência social, urbanismo e cultura. Essa articulação possibilita que políticas de prevenção social, qualificação profissional e infraestrutura urbana caminhem lado a lado com a repressão qualificada. Com isso, o poder público amplia sua presença nas áreas vulneráveis, atenuando o terreno fértil para a atuação criminosa.
O sistema prisional também recebe atenção como peça estratégica nessa construção. Além de buscar redução de déficit de vagas, a iniciativa investe na melhoria de condições, gestão eficiente e modernização dos processos. A ideia é que, ao fortalecer o aspecto punitivo e recuperar a dignidade e a ordem nas unidades prisionais, a cadeia deixe de ser vetor de desordem e reintegre-se ao ciclo coerente de segurança pública.
Para ganhar fôlego, a iniciativa aposta no fortalecimento de atendimento ao cidadão. Desde modernização de delegacias, agilização de perícias até uso de tecnologia embarcada, cada passo pretende aproximar o poder público da população. Quem vive em regiões de risco muitas vezes se sente distante do Estado — reduzir esse hiato é essencial para criar confiança, encorajar denúncias e cooperação social.
Os resultados preliminares demonstram que esse caminho pode dar certo. Em eventos recentes, o governo expôs quedas expressivas nos crimes de maior impacto, atribuídas à soma de operações, tecnologia e presença estatal em bairros prioritários. Esses desempenhos ajudam a consolidar o plano como alternativa válida a modelos mais tradicionais de segurança, justificando a disseminação da experiência para outros estados.
No Brasil, replicar boas ideias exige adaptação local. Cada estado tem sua configuração social, cultural e estrutural. O desafio é preservar o espírito da estratégia — integração, precisão, articulação social, gestão eficiente — e moldá-lo conforme cada realidade. Se bem aplicadas, essas práticas podem transformar políticas de segurança em agentes de desenvolvimento e confiança pública, uma mudança sistêmica que vai além da segurança estrita.
Autor: Zusye Pereira
