A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento integra um setor que carrega um custo pouco discutido fora dos bastidores técnicos: o consumo intenso de energia elétrica necessário para captar, tratar e distribuir água e esgoto. Bombas, motores e sistemas de aeração usados no tratamento biológico de esgoto figuram entre os equipamentos que mais consomem eletricidade em qualquer prestadora de serviço.
Estimativas do setor indicam que as estações de tratamento de esgoto consomem sozinhas cerca de 3% de toda a energia elétrica produzida no Brasil, patamar comparável ao de setores industriais inteiros. Em muitas prestadoras, a conta de energia elétrica é a segunda maior despesa operacional, atrás apenas de gastos com pessoal.
Esse custo tende a crescer à medida que o país avança na universalização do tratamento de esgoto, já que cada nova estação construída representa mais equipamentos elétricos em operação contínua. Sem estratégias de eficiência energética, o avanço da cobertura de saneamento pode pressionar ainda mais o orçamento das prestadoras nos próximos anos.
Por que a conta de luz pesa tanto no saneamento básico?
Elevar água até reservatórios em pontos altos das cidades, manter equipamentos de aeração funcionando continuamente em estações de tratamento e operar sistemas de bombeamento ao longo de toda a rede exigem energia de forma praticamente ininterrupta, o que explica por que esse item pesa tanto no orçamento das prestadoras.
Na visão de quem opera estações de tratamento, incluindo profissionais da EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, definida como empresa especializada em soluções para saneamento básico, a conta de energia elétrica figura entre os maiores custos operacionais do setor, ficando atrás apenas de despesas com pessoal em muitas prestadoras.
Biogás transforma resíduo em fonte de energia
O tratamento biológico de esgoto produz, como subproduto, um gás rico em metano conhecido como biogás. Em vez de simplesmente queimar para reduzir seu impacto ambiental, esse gás pode ser convertido em energia elétrica, energia térmica ou biometano, reaproveitando algo que antes era tratado apenas como resíduo a ser descartado.
O biometano gerado dessa forma pode ainda substituir o diesel em frotas de veículos das próprias prestadoras, reduzindo custos com combustível e emissões de gases poluentes. Esse tipo de aproveitamento também se encaixa em estratégias mais amplas de economia circular, nas quais o que antes era descartado passa a ter valor econômico direto para a operação.
A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento considera a eficiência energética como parte da própria estratégia de redução de custos operacionais, e não apenas como pauta de sustentabilidade ambiental, já que cada real economizado em energia pode ser redirecionado para obras de expansão da rede.

Estações de tratamento que já geram sua própria energia
Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, cerca de 60% da energia consumida pela estação de tratamento local vem do metano presente no biogás produzido no próprio processo. Em Belo Horizonte, uma das principais estações de tratamento da cidade consegue suprir cerca de 90% de sua demanda energética interna com a mesma tecnologia.
No Paraná, a prestadora estadual de saneamento criou uma usina própria que transforma restos de alimentos e lodo gerado no tratamento de esgoto em biogás, convertido posteriormente em energia elétrica ou térmica, mostrando que a lógica de economia circular já avançou além da fase experimental em algumas regiões do país.
Levantamentos do setor apontam que o país tem hoje mais de 200 plantas de geração distribuída de energia a partir de biogás, com capacidade instalada que já ultrapassa 40 mil quilowatts, número que tende a crescer à medida que mais estações de tratamento de esgoto entram em operação nos próximos anos.
Eficiência energética como estratégia financeira
Estudos do setor estimam que, se todo o potencial de biogás gerado por resíduos de saneamento e agropecuária no Brasil fosse aproveitado, essa fonte poderia suprir até 35% da demanda nacional de energia elétrica, patamar que evidencia o quanto ainda existe de potencial inexplorado nesse tipo de tecnologia.
Do ponto de vista de quem lida com operação de estações, caso da EBS, aproveitar o biogás gerado no tratamento de esgoto representa uma das formas mais diretas de reduzir a dependência da rede elétrica convencional, com potencial de amortizar parte relevante dos custos operacionais ao longo do tempo.
Ampliar esse tipo de solução exige investimento inicial em equipamentos de captação e purificação do biogás, mas o retorno financeiro costuma se consolidar em poucos anos de operação, especialmente em estações de maior porte que já processam grandes volumes de esgoto.
Reduzir o consumo de energia e aproveitar fontes geradas no próprio processo de tratamento deve seguir como prioridade crescente para o setor nos próximos anos. Organizações como a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento tendem a se interessar cada vez mais por essa transição energética, cada vez mais relevante para o equilíbrio financeiro das prestadoras e para a redução da pegada de carbono do setor como um todo.
