Com o governador impedido de concorrer à reeleição, três nomes disputam o eleitorado gaúcho em outubro — e as pesquisas mostram um cenário ainda em aberto
A política no Rio Grande do Sul vive um momento de transição real. Eduardo Leite, que governou o estado por dois mandatos consecutivos e se tornou um dos nomes mais reconhecidos da política nacional, não poderá disputar o governo gaúcho em outubro de 2026. A legislação eleitoral é clara: dois mandatos seguidos esgotam a possibilidade de permanência no cargo por mais quatro anos. Com isso, pela primeira vez em oito anos, o Palácio Piratini vai ter um novo nome. A questão que todo gaúcho se faz agora é: quem será esse nome, e o que essa mudança representa para o futuro do estado que ainda se recupera das enchentes e enfrenta um ano eleitoral com economia em compasso de espera?
O campo está tomando forma, mas ainda é fluido. A oficialização das candidaturas deve ocorrer até 15 de agosto de 2026, conforme o calendário eleitoral. Até lá, os pré-candidatos constroem suas agendas, disputam espaço nos meios de comunicação e negociam apoios dentro dos próprios partidos e com aliados. O quadro atual já permite traçar um mapa razoável do que está em jogo: de um lado, os campos progressistas divididos entre PT e PDT; de outro, uma aliança de direita estruturada pelo PL e pelo Novo; e no meio, o candidato que carrega o legado de Leite. Exame
A herança de Leite e o desafio de Gabriel Souza
O escolhido por Leite para ser seu sucessor é o vice-governador Gabriel Souza (MDB-RS), que ainda é desconhecido de parte do eleitorado gaúcho. Essa é exatamente a questão central do campo do governismo: como transformar um vice que atuou nos bastidores em candidato competitivo diante de nomes com trajetória mais longa na arena eleitoral. A desincompatibilização de Leite do cargo em abril abriu espaço para que Souza assumisse o governo e passasse a ganhar visibilidade, o que é essencial num estado onde o eleitor muitas vezes só conhece o vice quando ele já está no comando. A aposta de Leite é que a aprovação de sua gestão se transfira para o aliado, especialmente entre os eleitores que valorizam continuidade administrativa e estabilidade econômica. Gazeta do Povo
Mas a disputa não será fácil. A cientista política Andreia Maidana, citada pela Gazeta do Povo, avalia que Souza precisará se distanciar da polarização para atrair o eleitorado mais moderado. Como a disputa nos extremos é intensa, um candidato que se posicione de forma mais moderada pode atrair os eleitores descontentes com ambos os lados, especialmente aqueles que buscam uma alternativa mais conciliadora. Isso é, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um risco: posições moderadas atraem indecisos, mas podem não entusiasmar a base que elege. Gazeta do Povo
PT, PDT e PL disputam os votos progressistas e conservadores
No campo da esquerda, a disputa entre Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT) é o ponto de maior tensão. No cenário estimulado, Edegar Pretto (PT) aparece com 22,4%, seguido de Zucco (PL) com 18,9% e Juliana Brizola (PDT) com 16,7%, configurando disputa dentro da margem de erro entre o segundo e terceiro colocado. A divisão do voto progressista é uma preocupação estratégica: se PT e PDT chegarem ao segundo turno, um deles perderá votos que poderiam ter definido a eleição em favor do campo. A pressão por uma composição, ou ao menos por uma coordenação de voto útil no segundo turno, será crescente à medida que outubro se aproximar. Methodus
Do lado da direita, os partidos PL e Novo costuram uma coligação de direita, com o pré-candidato ao governo gaúcho sendo o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS). Zucco, tenente-coronel da reserva, representa um perfil alinhado ao bolsonarismo e aposta na rejeição ao governo federal como principal combustível de campanha no estado. O percentual de indecisos é elevado, chegando a 63,7% na intenção espontânea, sinalizando que o processo eleitoral ainda não está consolidado na percepção do eleitorado. Em outras palavras, o jogo está longe de definido, e quem souber construir uma narrativa convincente nos próximos meses tem reais chances de surpreender. Gazeta do PovoMethodus
Fontes: Wikipedia/Eleições RS 2026 | Instituto Methodus | Gazeta do Povo | Exame
