Haeckel Cabral Moraes ressalta que a assimetria corporal é uma característica inerente ao corpo humano e não um sinal automático de problema ou falha anatômica. Diferenças discretas entre lados estão presentes desde a formação óssea até a distribuição de músculos e gordura, e muitas vezes passam despercebidas no cotidiano. O interesse cirúrgico surge quando essas diferenças se tornam evidentes a ponto de interferir no contorno, no vestuário ou na percepção de equilíbrio corporal, exigindo uma análise mais cuidadosa.
A expectativa de simetria absoluta costuma ser irreal e incompatível com a biologia do corpo. Por isso, a avaliação responsável parte do entendimento de que o objetivo cirúrgico não é eliminar toda diferença, mas reduzir desproporções que causem desconforto funcional ou impacto estético relevante. Essa abordagem ajuda a alinhar expectativas e evita decisões baseadas em padrões artificiais.
Origem das assimetrias e leitura anatômica inicial
As assimetrias podem ter origem óssea, muscular, postural ou relacionada à distribuição do tecido adiposo. Há casos em que diferenças de comprimento ou rotação óssea influenciam o posicionamento de músculos e pele, criando variações visíveis no contorno. Segundo a análise de Haeckel Cabral Moraes, identificar a origem da assimetria é essencial para definir se a cirurgia pode realmente melhorar o quadro ou se a diferença tende a persistir mesmo após a intervenção.
Além disso, fatores como dominância lateral, hábitos esportivos e padrões posturais prolongados contribuem para assimetrias adquiridas ao longo do tempo. Assim, a avaliação clínica precisa observar o corpo em repouso e em movimento, pois algumas diferenças só se manifestam em determinadas posições. Essa leitura mais ampla orienta escolhas técnicas mais coerentes com a anatomia real do paciente.
Quando a assimetria se torna uma queixa cirúrgica
Nem toda assimetria justifica cirurgia. Em muitos casos, diferenças discretas fazem parte da identidade corporal e não geram qualquer incômodo. A queixa cirúrgica costuma surgir quando a assimetria interfere no ajuste de roupas, provoca desconforto funcional ou gera percepção constante de desarmonia. Haeckel Cabral Moraes aponta que a consistência da queixa ao longo do tempo é um fator relevante para diferenciar insatisfação pontual de uma demanda legítima.

Outro aspecto importante é avaliar se a expectativa do paciente é compatível com o que a cirurgia pode oferecer. Mesmo intervenções bem indicadas tendem a reduzir diferenças, e não eliminá-las completamente. Por esse motivo, a conversa pré-operatória precisa deixar claro quais limites são anatômicos e quais ajustes são tecnicamente possíveis, evitando frustrações no pós-operatório.
Planejamento cirúrgico e estratégias de compensação
O planejamento cirúrgico em casos de assimetria exige estratégias de compensação, e não apenas correção direta. Em vez de tentar igualar estruturas distintas, a abordagem busca equilibrar volumes, linhas e proporções para que a diferença se torne menos perceptível. Conforme interpreta Haeckel Cabral Moraes, essa lógica é especialmente relevante em cirurgias corporais, nas quais pequenas variações de volume podem gerar grande impacto visual.
A escolha da técnica deve considerar como cada lado responde à intervenção, pois tecidos diferentes podem cicatrizar de maneira distinta. Em alguns casos, ajustes assimétricos são planejados intencionalmente para alcançar um resultado mais harmonioso ao final da recuperação. Essa personalização reforça que o planejamento precisa ser individual e flexível, e não baseado em modelos rígidos.
Recuperação, acomodação tecidual e percepção do resultado
Durante o pós-operatório, é comum que a assimetria pareça mais evidente em determinados momentos, sobretudo por edema desigual e resposta inflamatória variável entre os lados. Haeckel Cabral Moraes observa que essa fase exige cautela na interpretação do resultado, pois o contorno definitivo só se estabelece após a acomodação completa dos tecidos e o amadurecimento cicatricial.
Com o passar dos meses, o corpo tende a reorganizar volumes e tensões, reduzindo diferenças aparentes. O acompanhamento permite distinguir assimetrias transitórias de ajustes necessários, quando indicados. Ao compreender que pequenas diferenças fazem parte da anatomia e do processo de recuperação, o paciente consegue avaliar o resultado com mais realismo. Assim, a cirurgia cumpre seu papel ao promover equilíbrio possível, sem prometer uma simetria que o corpo humano, por natureza, não apresenta.
Autor: Diego Velázquez
