Fundada no século XVI, Salvador segue como o principal centro político, econômico e cultural da Bahia. Para o empresário Alfredo Moreira Filho, que deixou a roça em Igrapiúna, no Baixo Sul, e teve na capital baiana uma das primeiras paradas antes de seguir para outros estados, a cidade sempre funcionou como ponto de encontro entre o interior e as oportunidades do restante do país.
Com cerca de 2,4 milhões de habitantes, segundo o Censo do IBGE, Salvador está entre as cidades mais populosas do Brasil. Entenda, nos tópicos a seguir, como a primeira capital do país se formou, o que sustenta sua economia e de que forma ela se conecta às demais regiões baianas.
A primeira capital do país
Salvador foi fundada por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, para ser a sede da administração portuguesa na colônia. Durante mais de dois séculos, a cidade concentrou as decisões políticas, o comércio e a vida religiosa, até que a capital fosse transferida para o Rio de Janeiro no século XVIII.
A posição estratégica na Baía de Todos-os-Santos, uma das maiores baías do litoral brasileiro, favoreceu o desenvolvimento do porto e o comércio com a Europa e a África. Pelo porto de Salvador escoavam produtos como açúcar e tabaco produzidos no Recôncavo e, mais tarde, mercadorias vindas do sul do estado. Como observa o empresário Alfredo Moreira, a vocação da cidade como elo entre a produção do interior e os mercados externos ajuda a entender sua importância até hoje.
Patrimônio histórico e identidade cultural
O Centro Histórico de Salvador, onde fica o Pelourinho, é reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. O conjunto de igrejas, casarões coloniais e ladeiras é um dos maiores do gênero nas Américas e atrai visitantes de todo o mundo.
A cidade também tem forte presença da herança africana, visível na música, nas religiões de matriz africana, na capoeira e na culinária. Pratos como acarajé, moqueca e vatapá dependem do azeite de dendê, produzido principalmente no Baixo Sul baiano, o que mostra como a cultura da capital está ligada à produção rural do interior. De acordo com Alfredo Moreira Filho, essa conexão entre campo e cidade é uma das marcas da identidade baiana.
Uma economia de serviços, porto e indústria
A economia de Salvador está concentrada no setor de serviços, com destaque para o comércio, a administração pública, a saúde, a educação e o turismo, que movimenta hotéis, restaurantes e eventos ao longo de todo o ano, especialmente durante o verão e o Carnaval.
A região metropolitana reúne ainda atividades industriais importantes. O Polo Industrial de Camaçari, a cerca de 50 quilômetros da capital, é um dos maiores complexos industriais do Nordeste, com empresas dos setores químico, petroquímico e automotivo. O porto de Salvador e o porto de Aratu completam a estrutura logística da região. Sob a perspectiva de Alfredo Moreira, essa diversidade econômica faz da capital um centro de oportunidades para profissionais de diferentes áreas e origens.
A porta de entrada para o interior
Para quem vem do interior, Salvador funciona como centro de estudos, serviços de saúde, comércio e negócios. Muitos estudantes de cidades do Baixo Sul, do Recôncavo e de outras regiões chegam à capital em busca de formação universitária e das primeiras oportunidades profissionais.
A ligação com o Baixo Sul, hoje feita por balsa até a Ilha de Itaparica ou por rodovias que contornam o Recôncavo, tende a se fortalecer com as obras da ponte entre Salvador e Itaparica, que prometem reduzir o tempo de viagem. A mudança pode aproximar ainda mais a capital dos produtores de cacau, guaraná, cravo e dendê da região. À luz do que frisa Alfredo Moreira Filho, Salvador continua sendo, para muitas trajetórias baianas, o primeiro passo rumo a novos horizontes.
