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Folha RS > Blog > Notícias > Nuvens em Forma de Cogumelo no Céu Gaúcho: Entenda o Fenômeno e sua Relação com a Onda de Calor
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Nuvens em Forma de Cogumelo no Céu Gaúcho: Entenda o Fenômeno e sua Relação com a Onda de Calor

Diego Velázquez
Diego Velázquez
4 Min de leitura
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Nos últimos dias, moradores de diversas cidades do Rio Grande do Sul notaram a presença de nuvens isoladas com formato de cogumelo ou bigorna. Essas formações nuvem têm chamado a atenção e estão diretamente relacionadas à intensa onda de calor que atinge o estado. No final da tarde de domingo e na segunda-feira, as nuvens se tornaram visíveis, especialmente em regiões como Sobradinho, onde o calor extremo contribuiu para a sua formação.

No domingo, a temperatura máxima no Rio Grande do Sul alcançou impressionantes 39,1ºC em Quaraí, no Oeste do estado. No dia seguinte, a mesma cidade registrou uma temperatura ainda mais alta, atingindo 42,5ºC. Esse valor não apenas representa a temperatura mais elevada do ano de 2025 até agora, mas também supera os recordes anteriores, que incluíam 42,4ºC em Quaraí e 42,1ºC em Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul. A previsão para os dias seguintes indica que as temperaturas continuarão a ultrapassar os 40ºC em várias cidades gaúchas.

O que está acontecendo com o clima no Rio Grande do Sul explica a formação das nuvens em forma de cogumelo. Essas nuvens se desenvolvem por meio de um processo atmosférico conhecido como convecção. A convecção é a transferência de calor que ocorre em fluidos, incluindo a atmosfera, e é impulsionada por diferenças de temperatura e densidade. Em dias quentes, como os que têm sido registrados, esse fenômeno se intensifica, resultando em nuvens de grande desenvolvimento vertical.

Durante o verão, o solo aquece rapidamente sob a radiação solar, transferindo calor para as camadas inferiores da atmosfera. O ar quente e menos denso começa a subir, criando correntes ascendentes, enquanto o ar mais frio desce para ocupar o espaço deixado. Esse ciclo contínuo de movimento resulta na formação de nuvens volumosas, inicialmente classificadas como Cumulus congestus, que têm um aspecto semelhante a bolas de algodão.

À medida que o ar quente continua a subir, ele encontra camadas mais frias da atmosfera, levando à condensação do vapor d’água. Essa condensação libera calor latente, intensificando o movimento ascendente e favorecendo o crescimento das nuvens. Com o suprimento contínuo de ar quente e úmido, essas nuvens podem evoluir para Cumulonimbus, que são conhecidas por seu grande desenvolvimento vertical, podendo ultrapassar dez quilômetros de altitude.

As nuvens Cumulonimbus possuem uma estrutura característica, com um topo que frequentemente apresenta um formato de bigorna ou cogumelo. Isso ocorre devido à interação com a tropopausa, a camada que separa a troposfera da estratosfera. Quando o ar ascendente atinge essa barreira, ele se espalha horizontalmente, formando a estrutura achatada que é frequentemente associada a tempestades.

Essas nuvens Cumulonimbus estão associadas a fenômenos meteorológicos intensos, como fortes pancadas de chuva, rajadas de vento e até mesmo granizo. Em algumas situações, podem gerar microexplosões, que são correntes descendentes de vento extremamente violentas, e até tornados. Com a continuidade do calor intenso nos próximos dias, não apenas o Rio Grande do Sul, mas também Santa Catarina e Paraná devem presenciar essas formações de nuvens.

Em resumo, a presença de nuvens em forma de cogumelo no céu gaúcho é um fenômeno meteorológico fascinante que resulta da intensa onda de calor que o estado está enfrentando. A convecção atmosférica, impulsionada pelas altas temperaturas, é a responsável por essas formações, que podem trazer consigo eventos climáticos severos. A observação dessas nuvens serve como um lembrete da dinâmica complexa do clima e da importância de monitorar as condições meteorológicas em tempos de calor extremo.

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